Instituto Pensar - Guerra contra Ucrânia despedaça esquerda russa

Guerra contra Ucrânia despedaça esquerda russa

Partido Comunista da Federação Russa se posicionou a favor da ação militar na Ucrânia. Foto: Reprodução/Facebook PCFR via Opera Mundi

Enquanto membros do Partido Comunista da Federação Russa (PCRF) se posicionam contra a guerra com a Ucrânia, em mais uma tentativa de se distanciar do presidente russo Vlamidir Putin, a esquerda no país tem lutado para sobreviver à mira do Kremlin.

Nas últimas eleições para a Duma, em setembro de 2021, o PCRF conquistou 57 assentos no Parlamento (18,9%). A Duma é composta por um total de 450 membros, dos quais 326 (49,8%) são da coligação Rússia Unida, alinhada ao presidente Vladimir Putin.

As últimas eleições encorajaram comunistas russos a se tornarem oposição a Putin, força que com a guerra foi transferida para a luta pelo fim do conflito.

Putin sempre se posicionou contra o comunismo e, ao chegar ao poder, atuou para enterrar de vez o passado soviético. Em parte, conseguiu.

Logo após o fim da União Soviética, o então presidente Boris Yeltsin acabou com o Partido Comunista Soviético. O que resultou o surgimento de diversos grupos políticos de esquerda, opositora ao governo e à política econômica adotada.

O PCFR surgiu nesse contexto, em 1993, e concentrou o monopólio da esquerda a partir da estratégia de Yeltsin, de permitir uma oposição moderada ao seu governo, mantendo-se fiel às orientações do então presidente.

Putin não aceita oposição moderada

A oposição moderada não foi aceita por Putin quando chegou ao poder, em 2000. Obrigou o afastamento de dirigentes do PCFR tidos como radicais e apertou o controle do dinheiro do partido.

De acordo com o Le Monde, no início dos anos 2000 as cotizações dos membros constituíam mais da metade de suas receitas, em 2015 não representavam mais do que 6% e o financiamento público subiu para 89% de seus recursos.

A lealdade do PCFR a Putin fez com perdesse parte expressiva de seus filiados, com baixas de 160 mil, em 2016, em universo que já contou com cerca de 500 mil.

Em 2018, porém, deu mostras de uma guinada e lançou o empresário Pavel Grudinin, com discurso mais distante do comunismo antigo e mais focado nos problemas atuais do país.

Leia também: Deputados comunistas russos são contra guerra

Conseguiu o segundo lugar no primeiro turno, com 11,7% dos votos ? o que representa 8,6 milhões de eleitores. Um feito notável diante do poderio de Putin.

Com isso, as últimas eleições parlamentares do país assinalaram uma possibilidade de renovação da esquerda russa com a aparição de novos quadros, críticos ao governo, assumindo compromissos com pautas como direitos humanos, liberdade democrática, igualdade social e meio ambiente.

Esquerda dividida

Com o relativo crescimento e a falta de modernização do seu programa partidário, três parlamentares do PCFR se levantaram, na Duma, contra o conflito na Ucrânia, apesar de declarar apoio ao conflito já no início e ter encampado o discurso de "desmilitarizar e desnazificar? o país vizinho, posicionamento seguido de outras declarações em apoio a Putin.

Mais à esquerda e mais isolados estão os pacifistas. O Le Monde cita a declaração publicada pelo Movimento Socialista Russo em conjunto com a esquerda ucraniana, uma das raras iniciativas em comum contra o conflito em um momento em que a segurança na Ucrânia ataca a esquerda do país.

Já os anarquistas da Avtonomnoe Deistvie [Ação Autônoma] chamam os "soldados russos a desertar, desobedecer às ordens criminosas e deixar a Ucrânia imediatamente?, num chamado que remete claramente ao passado comunista.




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